Logo D.R. Destruindo Relacionamentos

FILMES E LIVROS INDISPENSÁVEIS SOBRE MULHERES

  • Publicado 08/03/2017

    Que ainda há muita luta para a conquista de direitos igualitários entre homens e mulheres em todo o mundo não nos é mais novidade. E é por isso que quanto mais a gente ler e se informar sobre a nossa condição, mais fortes estaremos para conseguir alcançar vitórias nesse sentido. O cinema e a literatura estão repletos de mulheres fortes e resistentes representadas, sejam da ficção ou da vida real. Veja abaixo uma seleção mais do que inspiradora.

     

    FILMES

    A Garota no Trem, de Tate taylor (EUA, 2016)

     

    Kill Bill, de Quentin Tarantino (EUA; 2003)

     

    Juno, de Jason Reitman (EUA; 2007)

     

    LIVROS

    simone

    O segundo sexo, de Simone de Beauvoir
    vaginacapa

    Vagina – Uma biografia, de Naomi Wolf

    um-teto-todo-seu-virginia-woolf

    Um teto todo seu, de Virginia Woolf

     

    1407629

    Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

     

    1103036-anglica-livro

    Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas

     

    9788501083355

    * Trecho do livro Mundos de Eufrásia, de Cláudia Lage
    (sobre a espera amorosa, e outras)

    Na Chácara de Hera, Eufrásia seguia de longe a irmã pela casa, impressionada com a nódoa escura que tomava o seu rosto, com o modo que vagava silenciosamente pelos aposentos. Os pés trôpegos mancavam com maior desequilíbrio, porém, com súbita delicadeza, imperceptíveis sobre o chão de madeira. Eufrasinha contava os passos, somava os suspiros, diminuía os sorrisos de Francisca. Ela podia estar lendo com esforço um livro, comendo sem apetite, ou imersa no nada, não importava. Fizesse o que fizesse, Eufrásia podia ver, por trás da leitura, da falta de apetite ou do vazio, a espera. Quando Francisca acordava, quando dormia, bebia água, tomava banho, dedilhava o piano, na verdade, não despertava, nem sonhava, nem matava a sede, limpava o corpo ou tocava música, na verdade, esperava. Apenas esperava.

    Por uns bons meses, na Chácara de Hera, coube à mucama Cecília a árdua tarefa de consolar as duas mocinhas decepcionadas com a lealdade masculina. Cecília às vezes deixava de encontrar com o negrinho Inácio em um canto escuro da senzala para enxugar o choro e dormir de mão dada com Eufrasinha, que lhe pedia para cantarolar baixinho as canções dos escravos e dos amores perdidos da África. Com a sinhazinha mais velha, se limitava a sentar ao seu lado, aguardando pacientemente, com o lenço de cambraia estendido, as lágrimas que Chiquinha não derramava mais.

    “Por que não choras?”, Eufrásia perguntou um dia à irmã. Não se conformava por Francisca prender o sofrimento por Marco Antônio no corpo cada vez mais inclinado, e no rosto cada vez mais sombrio. Francisca não respondeu, preferiu revidar, “E tu, por que choras tanto?”. E entendendo que a irmã caçula havia absorvido o seu desespero. “Pare com isso!” E vendo que os olhos de Eufrasinha umedeciam. “Não chores por mim!” E sentindo no próprio olhar a umidade, “não tens este direito!”.

    Se afastou, rápida e trôpega. Eufrasinha saiu correndo na direção oposta, assustada com a voz cavernosa da irmã. Mais tarde, a encontrou debruçada na janela, em uma espera esquecida. Nos cotovelos feridos de Francisca, Eufrasinha viu a sua própria espera pelas cartas do menino Nabuco, viu o alvoroço das primas na espera pelos futuros maridos, futuros filhos, futuros bordados de linho para enfeitar a futura mesa da sala de jantar e cobrir a futura cama de casal. Viu a tia Cândida, com os doces maravilhosos que fazia sem dar conta da maravilha. Precisava esperar aflita o marido passar a língua nos lábios e os filhos rasparem o prato para dar a compota como benfeita. Viu a tia Ernestina, que criticava seu pai por lhe ensinar mais aritmética do que o comum para uma mocinha quando ela própria se atrapa- lhava nas contas do armazém. Tinha que esperar hesitante o marido chegar para conferir se havia somado ou diminuído corretamente. De novo viu tia Cândida, que dizia ter mais o que fazer do que enfiar as cabeças nos livros, enquanto esquecia as receitas que ela mesma inventava. O seu português ruim a fazia confundir a ortografia dos ingredientes e a escrever mal as palavras. Precisava esperar o marido Cristóvão ter tempo para uma coisa tão tola quanto receita de doce para passar o que recordava da cabeça para o papel. Viu a prima Julieta, bordadeira do linho mais branco, que esperava que seu futuro marido, que nem sequer conhecia, fosse apreciar no escuro leito conjugal mais a suavidade dos lençóis do que a sua pele roliça. Viu a prima Evangelista, que fazia todos os tipos de simpatia na lua cheia para que sua primeira gravidez fosse de um varão, esperando assim conquistar de vez o futuro marido, que nem havia ainda despontado no horizonte. De novo, a tia Ernestina, que falava pelos cotovelos da vida de Deus e do mundo, dando opinião sobre tudo e todos, e quando entre os homens, calava-se respeitosamente, na espera vã e aflita de lhe ser direcionada alguma pergunta. Viu a mãe Ana Esméria, que reunia as mulheres no oratório da casa para rezar, numa espera febril de merecimentos e milagres, um rosário interminável a Santo Antônio e outro a Santo Expedito, que ela sabia muito bem ser um o santo casamenteiro e outro o das causas impossíveis. Naquela mesma tarde cinzenta, Eufrasinha guardou as cartas de Quinquim num pequeno baú de coisas envelhecidas, decidida a não precisar nunca da chegada de ninguém para fazer uma conta, escrever uma receita, ou o que quer que fosse.


    Tags:
    • canal DR
    • comportamento
    • drelacionamentos
    • empoderamento feminino
    • entretenimento
    • feminismo
    • feminismo no brasil
    • feminismo significado
    • filme sobre mulheres
    • filmes com protagonistas femininas
    • filmes de ação com protagonistas femininas
    • filmes e livros
    • filmes feministas
    • filmes para homens
    • filmes que toda solteira deve assistir
    • filmes sobre mulheres
    • filmes sobre o sagrado feminino
    • frases fortes e marcantes
    • internet
    • livros sobre mulheres
    • mulheres empoderadas
    • universo feminino

Saiba de todas as novidades do DR <3

De tempos em tempos, a gente vai te enviar (em primeira mão) notícias e curiosidades relacionadas ao mundo DR.